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Sociedade Brasileira de
Atendimento Integrado
ao Traumatizado

25 anos 25 anos - combatendo a doença de trauma

O Estado de São Paulo - Setembro / 2007

Segunda-feira, 24 setembro de 2007

ESPAÇO ABERTO - Tragédias e planejamento.

Ainda choramos os mortos da tragédia do avião da TAM e uma enorme sensação de insegurança nos domina, especialmente no que diz respeito ao Aeroporto de Congonhas e às centenas de aviões que passam por cima de nossas casas e nossa cabeça diariamente. Um questionamento - que cabe no cotidiano de uma cidade que convive com violência, guerras de torcidas, homicídios, elevados índices de mortes no trânsito e queda de aviões - se faz mister, quanto à capacidade de resposta hospitalar a situações que envolvem múltiplas vítimas.

Imaginem se nesse episódio houvesse 200 sobreviventes necessitando de atendimento hospitalar simultâneo. Quais os hospitais capacitados na cidade de São Paulo? Os hospitais têm planos estruturados para situações dessa natureza? Nas situações que envolvem o atendimento a múltiplas vítimas, modificam-se os protocolos, alternam-se as prioridades. Uma série de medidas devem ser tomadas para alterar a rotina de funcionamento do hospital. Temos profissionais capacitados para tanto? É de extrema importância que um médico com experiência em cirurgia de trauma participe da supervisão da reanimação e avaliação inicial do traumatizado, orquestrando o trabalho multiprofissional para definição de prioridades na vítima com múltiplos traumatismos.

Este é o profissional médico que tem responsabilidade total em traumas multissistêmicos e deve fazer a coordenação e orientação dos protocolos e comandar o atendimento a múltiplas vítimas de catástrofes. Uma questão fundamental diz respeito à formação do médico. Das 167 escolas médicas do País, menos de 5% têm disciplinas voltadas para o trauma. Aliás, a abertura indiscriminada de faculdades de medicina contribui para o caos, é a opção pela quantidade, e não pela qualidade. O resultado é que as vítimas não raramente chegam às mãos de recém-formados, mal valorizados e despreparados, quando precisariam, para ampliar as chances de sobreviver e reduzir seqüelas, de uma equipe experiente, com os recursos necessários. Numa situação de múltiplas vítimas, a magnitude dos problemas se amplifica de forma logarítmica, reduzindo ainda mais as chances de sobrevida. Não creio que devamos aguardar a próxima tragédia para discutir com profundidade a real capacidade da cidade para responder a situações de catástrofe.

MILTON STEINMAN
Secretário-geral da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado
mdsteinman@uol.com.br

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